quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Arte manual - Ideias dobradas - 2008

Durante o processo criativo de aprender as dobraduras de origami, eu me irritei e me diverti muito.

De fato, é uma arte desafiadora em sua linguagem, como todas as outras são. No entanto, se você não gosta de lidar com papel, estilete, números, geometria, memória, entre outros requisitos, a tarefa ficará mais complicada!

como eu amo papel, sou amiga íntima dessa brincadeira. Claro que me atrapalho aqui e ali, assim como meu acabamento está longe de ser dos melhores. Mas, o que importa para mim é o processo meditativo, lúdico, prazeroso, desafiador e criativo que o origami proporciona.


Ai estão algumas de minhas experiências! Com o foco muito maior no processo, do que no resultado, Confira!  











“Essa arte se dá a partir de um quadrado perfeito (milimetricamente medido e cortado) de papel que é dobrado inúmeras vezes até tomar uma forma. É no ato, também, de se desdobrar que se torna possível conceber e tornar realidade o objeto em desenvolvimento; dimensão esta que nos remete a um estado, digamos, concreto. Paradoxalmente, ainda que no quadrado de papel as linhas geométricas e matemáticas dêem forma ao abstrato, é nele que se materializa o imaginário-concreto. Ali está a forma ainda desforme. Ali é possível se perceber; e dela de apoderar, imaginar, criar e, por fim, apreciar as belezas que surgirão à última dobra. São os grãos de areia diminutos a ser tornarem castelos. Enquanto as idéias se dobram, eu vou me desdobrando e encontrando meus vincos, vales, montanhas, até me tornar um quadrado perfeito dobrado por mim mesma (e pelo outro), ao lidar com linhas imaginárias e concretas sulcadas em mim. Até ver um objeto tridimensional possível, que por uma dobra em outro local ou outra a mais, o colocará em plena transformação, rumo a um resultado quase imprevisível”. 

Solange Pereira Pinto (escritora e artista brasileira)

























Mais informações sobre esta exposição clique aqui

sábado, 5 de janeiro de 2008

Release - Mostra "Idéias dobradas" - 2008



Dobrando uma crise



Terceira mostra aqui na Galeria Virtual Rigoller, a exposição “Idéias dobradas”, da artista multimídia Solange Pereira Pinto, que ganhou forma, inicialmente, na arte do origami e daí foi se desdobrando, melhor dizendo dobrando e cortando, na realidade surgiu da crise existencial da artista em busca permanente por uma “identidade” profissional.


Segundo Solange, procurar um caminho que traduzisse seus anseios e desejos, tão “somatizados” através de ansiedades e frustrações, e que convergisse para um plano único, por exemplo, uma “profissão realizadora e bem-sucedida”, tornou-se uma tortura insone.


E, foi assim, durante uma insônia em frente ao computador que Solange encontrou a frase "um mágico transforma folhas em pássaros". Continuou a ler e encontrou o primeiro diagrama: um tsuru (o grou), ave sagrada para o povo Japonês que segundo a lenda vive 1000 anos, “considerada símbolo de sorte, paz, felicidade e longevidade, diz-se que se uma pessoa estiver doente e fizer mil dobraduras desta ave será curada”, explica.






Diz a artista que ali se deu uma “iluminação”, bem à moda oriental. “É como se eu tivesse encontrado as Sibilas a fazerem suas predições e o origami se transformado em um oráculo. A partir dali cada diagrama se tornou um desafio, uma concentração, uma resposta. Uma forma genuína de autoconhecimento. Pode até parecer maluquice, mas sei o quanto a arte tem o poder de nos revelar e desvelar dramas, conflitos etc. Cada dobradura mostrava a mim o limite da minha tolerância, da minha paciência, da minha ingenuidade”.


Solange, conhecida por suas habilidades variadas e transbordante criatividade, sofria o que ela chama de “crise da multiplicidade”. Ela completa que a sociedade ao mesmo tempo em que, teoricamente, admira quem tem formação múltipla condena quem não segue uma única direção e especialidade. “Saber conciliar o indivíduo pessoal e o social (se é que podemos dividir o indivíduo) é coisa para mágico. E o origami, a kusudama, o kirigami, nos dão a possibilidade de multiplicar, transformar, modular, enfurecer, desbobrar, conhecer os vincos, vales e montanhas. É um exercício constante de criatividade, atenção e habilidade. Digamos que é mais um meio de autoconhecimento e, principalmente, arte. Por isso, quis montar a exposição IDÉIAS DOBRADAS, pois é exatamente como eu me sinto: uma multiplicadora de idéias”.


A exposição fica em cartaz até o fim do mês e pode ser visitada na Galeria Virtual Rigoller. Contatos com a artista pelo e-mail sollpp@gmail.com .






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Sobre a arte oriental:
O Origami (折り紙) é a arte japonesa de dobrar o papel. Origina do japonês ori (dobrar) kami (papel), porém, quando se juntam as duas palavras, a pronúncia fica "origami". Essa antiga cultura japonesa popularizou-se recentemente (século 18) após o barateamento dos custos do papel e da divulgação dos diagramas instrucionais. Já Kusudama (kusuri = remédio e tama = bola).é um enfeite em forma de uma “bola” com feixes de fios coloridos, que ficam normalmente pendurados. A kusudama – “bola de remédio” – era normalmente utilizada como um amuleto que servia para afastar o mal das crianças e doentes. Nos dias atuais é utilizada para ornamentar e pode conter ervas e essências em seu interior. Por sua vez, o kirigami (arte chinesa de cortar papéis) transforma em terceira dimensão os papéis dobrados e cortados, seja para cartões ou livros (pop-ups). E, também, se transformam em lindas “rendas de papel”. Para todas essas modalidades há a possibilidade de juntar os papéis dobrados/cortados em módulos, o que se chama origami modular. Dele é possível fazer diversos tipos de kusudamas, bastando apenas mudar o tipo de módulo a ser dobrado.



terça-feira, 1 de janeiro de 2008

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